Deslivros:Meu pai engoliu minha chupeta

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Tradução: Amigo Imaginário.

#NãoEngulaAChupetaDoSeuFilho

Este é um relato. Triste para meu pai. Triste para mim. Triste para minha chupeta. Nem tão triste para você. Espero. Afinal, me pagaram para esse livro ser humor. Mas não qualquer humor. Bom humor. Aí complica, né? Fazer dessa história tão infeliz, uma engraçada, é também infeliz. Não para você. Espero. Afinal me pagaram para esse livro ser de bom humor. Aí complica. Né?

Prazer[editar]

Era uma manhã fria de Natal. O sol começava a espreguiçar vagorosamente seus raios em meio às densas nuvens cinzentas que encobriam os céus invernosos. As corujas lentamente paravam de piar. Os olhos de Catupi ainda se recuperavam da ressaca. E as crianças, ah, as crianças, elas ingenuamente brincavam na neve. Faziam anjinhos, bonecos, buracos para atolar os carros quando, subitamente, o ouviram. Era silencioso como a televisão de sua avó 90% surda. Parecia se aproximar rapidamente na direção delas. Seus respirar se tornou audível. E: minha mãe desligou a maldita TV. Na verdade, o adjetivo não está na posição realmente desejada, afinal minha mãe provavelmente vai ler o livro. Isso, também aliás. Mas estou tranquila, pois duvido que ela saiba o que é adjetivo, mesmo.

Bem, é, de fato, manhã de Natal. Mas não é uma manhã fria. E muito menos com neve. Afinal, eu vivo no Brasil - o país do futebol, carnaval e tals, sabe? Sim, aquele do 7x1 - e aqui boneco, só de Olinda, e neve, de papel higiênico.

E eu sou quem? (tentei mudar um pouco do Orkut, credo) Sou uma escritora mirim. Tão mirim que ainda escrevo em gugu dadá, mas nem me julgue, jovem, tenho 3 anos.

A tragédia, meu Deus,a tragédia![editar]

Finalmente chegou a hora da ceia. Não que eu estivesse esperando ansiosa ou algo assim. Quer dizer, nem posso comer Chester mesmo.

É que, durante a noitinha, meu pai inventou de se fantasiar de Papai Noel (pois é, ele ainda acredita que eu acredito nisso) e acabou atolado na chaminé imaginária dele, a conhecida pelas pessoas normais como janelinha do banheiro.

É compreensível. Afinal, ele já não é muito magro. A janela já não é muito larga. E o enchimento não ajuda lá muito. Em suma, ele ficou 50min preso. E o trabalho pesado foi de quem? Depois de eu e minha mãe o convencermos que ele não ia estragar minha ingenuidade infantil ao admitir que não era o Noel para que tirasse a fantasia ridícula, aliás, foi preciso também convencer o enchimento a sair. E não foi uma persuasão pacífica, digamos.

Desde aquela hora, eu só queria ir dormir. Que meus pais voltassem a trabalhar. Que na Páscoa eles não tentassem me convencer que coelhos botam ovos. Mas o pior chegou na ceia. Como eu já disse, meu pai não é muito magro. Mas ele também não é um Faustão para enfiar tudo goela a baixo. Por isso, eu meio que não imaginava que ele ia engolir minha chupeta.