Deslivros:Homem casado passando uns dias sem a esposa

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Olá, meus cumprimentos a quem se interessar em ler isto. Meu nome é Mirosmar, tenho quarenta e cinco anos, sou casado com Adalberta há vinte e cinco e gostaria de relatar o curto período no qual fui obrigado a ficar em casa sozinho, sem minha esposa, que foi passar onze dias na casa da minha sogra pra cuidar da véia, diagnosticada com câncer de pênis. A princípio, acreditei que seria difícil ficar esses dias sem a minha companheira, a considerar que ela é a responsável por todas as tarefas domésticas. Mas como foi necessário, aprendi as mais diversas táticas de sobrevivência no lar, e atualmente posso ser considerado um expert na arte de cuidar de casas. Segue o histórico de minha rotina, durante o pouco mais de uma semana em que pude me aperfeiçoar como homão da porra.

Histórico[editar]

*Dia 1: Me despeço de minha esposa, e inicio mentalmente o planejamento do mês. Minha companheira nota minha cara de bunda no portão, e achando que eu não faço a mínima ideia do que fazer, volta pra fazer uma pequena lista dos afazeres. Isso seria necessário para homens frouxos, mas eu sou um homem maduro com mais de quarenta anos, e não preciso de algo como isso, por isso amasso o papel e jogo na lixeira. Não é tão difícil cuidar de uma casa, qualquer um pode fazer isso. Eu estou mesmo precisando de alguns dias sozinho, então esquento a comida de ontem, assisto um filminho de sacanagem no Cine Band Privé e vou dormir tranquilo.

*Dia 2: Acordo de pau duro e com fome, desço para a cozinha esperando aquele cafézinho fresco e pão quente antes de ir trabalhar, mas não tem nada disso. A única coisa que encontro é a louça suja de ontem, mas eu cuido disto mais tarde. Não tendo muito tempo, vou trabalhar com fome, e como um misto quente a caminho do trabalho mesmo. Fico com caganeira pelo resto do dia, meus colegas de trabalho notam e riem da minha cara. Foi um dia ruim, mas sei que vai melhorar quando chegar em casa. Ledo engano. Chego do serviço morrendo de fome, mas encontro apenas a louça de ontem, com um monte de moscas sobrevoando o local. Lavo tudo, preparo um pouco de arroz e frito um ovo. Vou dormir cedo, pois estou sem energia pra nada.

*Dia 3: O dia é como ontem, uma bosta. Mas faço uma descoberta. Ao comer na própria panela, eu não preciso usar pratos, e consequentemente, não preciso lavá-los. Todo homem deveria conhecer este segredo. Não precisando perder tempo lavando a louça, tenho tempo pra fazer outras tarefas, como alimentar o gato e o peixe, que estão sem comer há 2 dias.

*Dia 4: O dia é ótimo, pois faço mais algumas descobertas. Mesmo comendo na panela, ainda estava desperdiçando tempo lavando os talheres. Então, decido comer com as mãos mesmo, se meus ancestrais faziam isso, porque devo ficar com frescura? Assim, preciso lavar apenas as panelas mesmo, reduzindo o trabalho. Também descubro que, se dormir no sofá, não preciso arrumar a cama, e nem lavar o jogo de cama. Isso sim é fantástico!

*Dia 5: Minha caganeira piora, talvez por conta dos lanches diários, então meu chefe me manda ficar em casa, pois eu fico mais no banheiro do que na minha mesa de trabalho mesmo. Apesar de não receber em meu período afastado, eu posso ficar em casa e focar nos afazeres domésticos, o que é bom, pois alguns estão bem atrasados. Assim, descubro mais alguns hacks da vida real interessantes, o principal deles, se eu usar a mesma roupa todos os dias, não vou precisar lavar roupa. Isso é conceito de estratégia. A cueca já não está com um aspecto muito bom, mas ninguém vai ver mesmo, então não preciso me preocupar com isso.

*Dia 6: O gato e o peixe não estão com um aspecto muito bom, então preciso alimentá-los com mais frequência. Hoje é sábado, e lembrei que é no sábado que minha esposa lava o piso e o tapete. Obviamente não fiz essa tarefa, pra que lavar isso, se eu vou pisar e sujar de novo? Não faz sentido. O mesmo conceito apliquei na roupa que estou sempre usando, não faz sentido passá-la, se vou botar no corpo e amassar de novo. Estas tarefas são apenas perda de tempo.

*Dia 7: Domingo é um bom dia pra não fazer nada, então sigo o plano de não fazer nada. O problema é que estou com fome, e preciso comer algo, mas só de pensar nas panelas sujas, fico desanimado. Assim, penso em algo revolucionário, que poderia me dar um Nobel: se eu comer apenas enlatados direto da lata, não vou sujar panelas, e me livro de 100% da louça. Assim não preciso fazer esta tarefa, poupo detergente e economizo água, ajudando o planeta. Todos ganham. Eu sou um gênio!

*Dia 8: Segunda é um dia merda, então mesmo não tendo que ir trabalhar, fico desanimado. Acordo e vou comer uma lata de sardinha na frente da televisão. Um pouco da minha refeição cai no chão, eu deveria varrer, mas não estou com muito saco, então chuto isso pra debaixo do sofá mesmo, um pouco de comida não vai fazer diferença mesmo. Tirar o pó varrendo a casa, menos ainda, não tenho rinite.

*Dia 9: Já consegui eliminar quase todas as tarefas domésticas adotando medidas simples, mas percebo que ainda posso aperfeiçoar minha rotina. O gato come apenas as minha sobras mesmo, então, não é necessário despejar o conteúdo das latas na tijela dele, o que me obriga a lavar aquilo todo final de semana pra não feder. Se eu posso comer na lata, ele também pode, esse animal não é melhor do que eu. O aquário do peixe também não precisa de limpeza, tem tanto peixe por aí que vive em rio cheio de merda e lixo, porque o meu não pode viver em um aquário com a água um pouco turva?

*Dia 10: Estou parecendo um mendigo, a roupa que uso está suja e amassada, e minha cueca virou um misto de marrom com amarelo. Mas isso não importa, não estou saindo de casa mesmo. A casa tem algumas baratas e ratos rondando por aí, mas isso não tem problema, é algo bem comum na área urbana. O gato não parece gostar muito de mim, aquele ingrato. Eu deveria dar um banho nesse animal, que está fedendo como um bicho morto, mas não é minha culpa se ele fica fuçando nos lixos. Ele que se vire pra se limpar.

*Dia 11: Enfim, o dia do retorno de minha amada. Estou dormindo tranquilamente no sofá, quando minha esposa me liga dizendo que está chegando. Penso em fazer uma surpresa pra ela, e a espero no portão pronto pra dar um abraço. Quando Adalberta finalmente chega, ela nota minha higiene, e não aceita meu abraço. Ao entrar em casa, ela vê tudo limpinho, e me parabeniza, diz que sou um bom administrador do lar, apesar de fedorento. Mas ela vê uma barata correndo por debaixo do sofá, pega uma vassoura e afasta o móvel pra matar o pequeno animal. Ao fazer isso, encontra um ninho de baratas, cocô de rato e um monte de formigas. A vassourada que seria pra barata, é direcionada pra minha cabeça. Eu realmente deveria ter varrido aquela sardinha que derrubei!