Deslivros:Chapeuzinho Branco

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331px-Longcat.jpg Prepare-se para ler:
Esse artigo é muuuuito grande e pode causar cegueira.
Pense duas vezes e não seja tão idiota antes de ler algo assim
Os autores de literatura infantil costumam ser espíritos atormentados que refletem em suas obras todos os seus traumas.

Cquote1.png Enfim literatura que promove os valores de verdade! Cquote2.png
Algum moralista, numa conferência sobre o que as crianças de hoje devem ler.
Cquote1.png Se dizem isto de Chapeuzinho Vermelho, o que dirão da Bíblia? Cquote2.png
Deus, na mesma conferência.

Introdução

A literatura infantil de todos os tempos possui um defeito sério: não é escrita por crianças, e sim por adultos que se acham crianças. No entanto, nem por isso deixam de ser adultos. Isto fica bastante pernicioso, pois sabe-se que os adultos têm uma série de traumas, complexos, vícios, visões distorcidas da realidade, doenças mentais, sentimentos destrutivos e mais um sem-fim de coisas negativas e, quer queira, quer não, jogam tudo isto na literatura infantil.

O resultado disto é que os contos para crianças acabam sendo, na verdade, o reflexo das mentes perturbadas dos escritores, razão pela qual, longe de ser literatura edificante, é literatura que induz a comportamentos incorretos e imorais.

A fim de evitar isto, decidimos reescrever um dos contos mais famosos de todos os tempos, e eliminar todas aquelas passagens, expressões ou situações que possam perturbar o espírito delicado das crianças. Voltamos a escrever o conto de Chapeuzinho Vermelho, mas de tal forma que seja um conto politicamente correto.

O leitor poderá curtir de uma sentada esta leitura amena ou se quiser, pode ir lendo as notas explicativas que apresentadas no final do conto, para que você entenda a que obedecem as mudanças introduzidas em nossa versão do conto.

Esperamos, pois, que curtam esta versão depurada do clássico de Charles Perrault.

Chepeuzinho Branco[editar]

Era uma vez una menina pura, casta, virginal e inocente.[1] A menina, é claro, era obediente e graciosa, mas não devassa[2], seu cabelo era loiro, sua pele era macia, seus olhos azuis como o mar e nenhuma irregularidade cutânea afetava seu rosto, que irradiava ternura por todo lugar [3].

Filha de uma mãe abnegada, mulher felizmente casada com um homem probo que é o pai da menina (que, no momento em que acontecem estes fatos, encontra-se em viagem a uma região próxima por motivo de negócios)[4] temente a Deus, sempre atenta ao cuidar de pessoas maiores, dona de casa infatigável e que faz uns pastéis maravilhosos[5].

Esta menina só usava uma capa que seus pais lhe deram como prêmio por suas excelentes qualificações[6]. Esta capa era encimada por um gracioso chapéu pontiagudo. Tal capa era de cor branca, e vestia tão primorosamente a pequena que todos a chamavam, por afeição sincera, Chapeuzinho Branco[7]

Chapeuzinho Branco também tinha uma avó. A avó tinha sua cabana[8] do outro lado do bosque, onde sua netinha vivia em harmonia perfeita com seus pais amorosos. Porém, a vovozinha, provavelmente devido à idade, estava meio doente e não se levantava da cama por indicação médica[9]

Chapeuzinho Branco e o urso Mau[editar]

Não queremos que as crianças pensem neste tipo de Chapeuzinho. Essa é para nós, os adultos.

Um belo dia, a mãe de Chapeuzinho Branco resolveu fritar deliciosos pastéis[10] e os mandar com sua amada filha. A menina, obediente aos desejos e ordens de seus pais[11], estava mesmo com vontade de visitar sua querida vovó. Foi até seu quarto arrumado e pegou sua capa branca, a pôs sobre sua cabecinha loira e pegou a cesta de pasteizinhos fumegantes.

A mãe a aconselhou a não dar bola a estranhos no caminho e ir sempre por los lugares mais corretos, evitando os caminhos obscuros do bosque, onde só há animais. A menina prestou muita atenção e disse sim a todas as recomendações de sua amorosa mãe. Logo, com um beijo carregado de ternura maternal[12], despediu-se prometendo voltar já para casa.

A pequenina, então, ruma cantando e dançando pelo caminho. As nuvens do céu a contemplam e as flores graciosas que adornam o trajeto fazem coro a suas canções.

Um velho, cruel e abjeto urso de cor negra[13] ouviu a voz cristalina da menina e, vendo que estava havia mais de uma semana sem comer, quis roubar seus pasteizinhos.[14]

O urso perverso mudou seu rosto para que, no lugar de refletir suas intenções malvadas, denotasse fome e desamparo, e levasse a pequena a sentir pena dele. Numa curva do caminho, o velho animal sentou-se e, quando Chapeuzinho (que era a bondade em forma de menina) viu o animal deitado de lado, sentiu compaixão e, aproximando-se dele, perguntou o porquê de seu rosto triste. O animal implacável conseguiu o que queria, pois a menina tirou um pastelzinho delicioso de canela e ofereceu a ele, advertindo-o de que não lhe daria mais, pois os deveria levar a sua vovozinha convalescente. Após isto, a menina seguiu cantando e dançando.

O urso, sabe lá Deus por quê, conhecia a casa da avó de Chapeuzinho, pegou um atalho e chegou primeiro, bateu à porta e a vovó abriu. Então, o lobo a pegou pelos braços e a escondeu no banheiro de casa casa[15] e ajeitou-se na cama da avó de Chapeuzinho[16], esperando que ela chegasse com a deliciosa cesta de pastéis fritos.

Chapeuzinho entrou e, vendo que na cama da Vovó estava o velho lobo do caminho, e sendo uma menina tão inteligente, descobriu suas intenções perversas, mas, a fim de evitar atos subsequentes de violência, resolveu fazer-se de desentendida e entrar no jogo do lobo[17]. Então, entrou em casa, pôs a cesta na cabeceira da cama e disse ao urso:

  • Vovozinha, que olhos grandes você tem!
  • São pra ver você melhor – respondeu o velhaco.
  • Vovozinha, que orelhas grandes você tem! – insistiu a menina.
  • É pra te escutar melhor – mentiu o perverso animal.
  • Vovozinha, que mãos grandes você tem! – disse novamente a pequenina.
  • É pra poder pegar as coisas [18] – garantiu o urso.
  • E que boca grande você tem! – arrematou Chapeuzinho Branco.
  • É pra comer melhor os pastéis![19]Então me dá estes pastéis de uma vez, menina! – gritou o lobo feroz.

Mas o certo desse caso é que, enquanto este diálogo corria, Chapeuzinho, que tinha um celular moderno, enviou uma mensagem de texto à sua mãe contando-lhe o que sucedia e esta ligou para o 911, e, justamente quando o urso estava disposto a devorar a comida da vovó, chegou um policial que prendeu o pobre animal. Logo encontraram a vovó e a libertaram, e esta comeu seus pasteizinhos.

Mas, como a avó de Chapeuzinho também era tão boa, decidiu dar boa parte dos pastéis ao urso, e não quis fazer acusações contra ele.

O urso, vendo tal comportamento, arrependeu-se de suas más intenções e virou uma espécie de cão de guarda na casa da avó[20]. E todos viveram felizes para sempre.

Notas sobre as mudanças realizadas[editar]

  1. Que são os valores que todas as meninas e garotas de hoje devem ter.
  2. Porque alguns grandessíssimos filhos da puta, bastardos, escórias da sociedade, lixos do mundo, etc., sustentam a crença idiota de que ser gracioso é sinônimo de ser devasso. Imbecis que não podem falar sem deixar de insultar as pessoas.
  3. Noutras palavras: a protagonista deste conto era a europeia típica. Isto nos ensina que só na Europa acontecem cosas importantes. Além do mais, também é um ensinamento claro da importância de ser europeu para que os meninos e meninas sejam perfeitos; se os nativos (aborígenes, índios ou os naturais, chame-os como quiser) não se opusessem ao extermínio plano luso-hispânico para estas terras, hoje teríamos estas características. Não foi assim e, por isso, alguns são morenos, outros baixinhos, e com os rostos cheios de acne ou coisa parecida
  4. Felizmente casada com um probo: Os contos infantis clássicos sempre tiveram o defeito de promover a desintegração familiar; seus protagonistas geralmente são órfãos, ou provêm de famílias disfuncionais onde se dá uma destas duas possibilidades:
    • A mamãe está sozinha no mundo e deve criar seus filhos.
    • E se não, como noutros tantos contos, é o papai que, estando viúvo, se casa com uma mulher que se torna a madrasta e que, geralmente, é mais malvada que o próprio diabo.
    Além disso, nunca fica bem claro quais são os motivos de o quadro familiar não estar completo. Pode ser que o pai tenha morrido, ou que esteja em viagem, ou tenha uma amante, etc. Enfim, para evitar tudo isto, nesta história assinalamos que a mãe da menina, felizmente, está casada com um homem probo, que é o pai da protagonista. Apesar de o pai não poder fazer parte desta historia, com ele evitamos tergiversar a imagem de família que as crianças devem ter em mente: Papai, Mamãe e filhinhos.
  5. O ideal de mulher perfeita.
  6. Esta breve variação, apoiada talvez um pouco nas teses de Pavlov e no behaviorismo afetará as crianças positivamente, pois quererão se esforçar para tirar boas notas e que seus pais lhes deem prêmios como o que a protagonista recebeu.
  7. Optamos por chamá-la Chapeuzinho Branco, pois esta cor remete à virgindade e à pureza da alma; em troca todo o mundo sabe que o vermelho é uma cor utilizada para assinalar a luxúria, o furor sexual, o gozo desmedido dos prazeres carnais, a paixão descontrolada, a libido exacerbada e o bolcheviquismo, de modo que, para evitar que as criançass formem estas ideias no seu intelecto, optamos por trocar a cor da capa. Assim, em vez de pensar em sexo, pensarão em moral.
  8. Este dado é de suma importância porque reflete que a vovozinha não fora mandada ao asilo, como se costuma fazer hoje com os anciãos
  9. Pois lógico que era atendida por um excelente médico. Isto nos garante que os filhos da vovozinha realmente se interessavam por ela, ao contrário dos outros filhos que estão desejando que a pobre velha morra para disputar a herança. Além do mais, isto também reflete a importância que se deve dar ao cuidado das pessoas doentes, coisa cada vez mais esquecida hoje, pois diante da doença o que se propõe é a eutanásia. Mas, evidentemente, este conto é contra essa prática feia que também é uma passagem direta para o buraco mais profundo lá de onde as almas serão atormentadas por séculos a fio num lago de enxofre, onde o verme não morre, mas rói eternamente as carnes do espírito.
  10. Já deitamos loas às suas delícias culinárias.
  11. As crianças de hoje deveriam ser assim; porém, por más interpretações dos direitos das crianças e por uma tendência suspeita da psicologia infantil, os impúberes de hoje parecem muito irascíveis.
  12. Não houve nesses beijos rancores inconscientes, produto do famoso complexo de Édipo freudiano, isto é:
    • Nem a mãe pensou: “Estou beijando minha rival em carinho de meu marido”.
    • Nem Chapeuzinho disse: “Esta é a que disputa meu pai comigo”.
  13. Encarnação da maldade e da luxúria.
  14. Evitamos aqui a intenção perversa, descrita no original, pela qual o lobo queria comer a menina, pois sabe-se muito bem que tal expressão possui um profundo significado sexual. Isto é: comer a menina equivale a deflorar a pequena. Noutras palavras, o urso, na versão original, quer manter relações sexuais com a pequenina. Isto é uma aberração que faz as crianças que leem tais contos a pensar numa de duas possibilidades:
    • A zoofilia é algo normal.
    • A pedofilia é bem vista.
    Por isso, nesta versão politicamente correta, optamos por declarar que a intenção do lobo é comer os pasteizinhos que Chapeuzinho Branco traz, e não comê-la. Assim evitamos preguntas incômodas de nossos guris.
  15. A propósito, também evitamos dizer que o lobo comeu a vovozinha, pois também é o mesmo que dizer que a violou, e, como advertimos noutra nota, não queremos que nossos pequeninos acreditem que a única forma de obter prazer sexual seja forçando as velhinhas.
  16. Tampouco queremos dizer que o urso vestiu-se com a roupa da avó, pois isto leva a pensar que o travestismo é algo natural.
  17. A versão original põe a menina como uma boboca, pois confunde um Lobo com sua avó, mas aqui corrigimos isso dizendo que a menina, a fim de ganhar tempo, fez de conta que se confundiu.
  18. Evitamos “É pra te pegar melhor”, pois assim não se pode pensar em algum tipo de abuso por parte do lobo.
  19. Lembremos que, nesta versão politicamente correta, o que o urso quer são os pastéis.
  20. Porque, evidentemente, não mataram o lobo tal como a versão original sustenta; pois aqui o urso sobreviveu e e até mudou de vida. Isto fará as crianças aprender a:
    • respeitar a flora e a fauna selvagem;
    • dar sempre uma segunda chance para que as pessoas mudem.