Deslivros:A princesa travesti e o dragão vesgo

Origem: Desciclopédia, a enciclopédia livre de conteúdo.
Ir para: navegação, pesquisa
Nuvola apps bookcase.png
Este artigo é parte do Deslivros, a sua biblioteca livre de conteúdo.


Capaprdrarpg.jpg

Introdução
[editar]

Olá, nerd descíclope! É muito bom receber você por aqui. Como todo nerd que se preze, você deve ser virgem amante de jogos de RPG e talvez até mestre de sessões como eu. Se for esse o caso, então sabe como é importante uma boa aventura para jogar com seus amigos tão nerds quanto você, mas às vezes dá um branco e a gente trava. Não é muito raro, não é mesmo? Quando isso acontece, procuramos inspiração, às vezes do pior jeito. Mas e se você encontrasse uma aventura na Desciclopédia, ou melhor, uma desventura?

Por isso, apresento à você a Desventura RPG: A Princesa Travesti e o Dragão Vesgo, uma ridícula emocionante sessão de RPG épica que narra as aventuras de quatro nerds desocupados como você que viajam o mundo para derrotar o temível Dragão Vesgo de uma asa só. Os personagens são: Eugênio, o Mago burro; Paulo, o Paladino gordo; Igor, o Coroinha Sacerdote, e o mestre, que é um pobre desgraçado que tem que perder tempo com esses três imbecis.

Capítulo 1: A taberna
[editar]

Mestre: Vocês estão numa taberna, tomando cerveja...
Eugênio: Mas eu não gosto de cerveja!
Igor: Pois é, eu também não.
Mestre: Pff.. Tá bom, tá bom. Vocês estão tomando suco.
Paulo: De laranja? Diz que sim, diz que sim!
Mestre: Não, de maçã.
Paulo: Aff...
Mestre: Continuando... Vocês estão bebendo. Guardas estão na entrada da taberna, portando lanças com o dobro de tamanho deles.
Eugênio: Caralho!

Paulo, o paladino gordo.

Mestre: Que foi?
Eugênio: Nada, nada.
Mestre: Eles vestem armaduras prateadas e brilhantes com o símbolo de uma flor no peitoral, o símbolo da...
Igor: Ele é gay?
Mestre: Do que importa, porra? A flor é o símbolo da cidade que vocês estão, Pedranegra.
Paulo: Se é uma cidade com pedra no nome, porque o símbolo é uma flor?
Mestre: Porque eu quero.
Igor: Porque você é gay!
Mestre: E daí?
Eugênio: Cala boca, Igor!
Mestre: Obrigado, Eugênio. A taberna está animada nesse dia, afinal é domingo. Há duas mulheres dançando descalças em um dos cantos, alegres. Provavelmente bêbadas. Atraíam a atenção de todos ali, inclusive de vocês.
Paulo: Como elas são?
Mestre: Dá pra tirar a mão daí e esperar eu terminar? Sim, elas são muito bonitas. Uma é negra e a outra tem uma pele cor de areia. Ambas têm olhos negros como carvão e um corpo de curvas muito bem desenhadas, e seios grandes. Suas coxas são torneadas, e os pés... Tira a mão daí, Paulo!
Paulo: Desculpa.
Igor: Eu quero falar com uma delas.
Mestre: Qual?
Igor: A negra.
Mestre: Rola o dado.
Resultado: 2
Os outros dão risada.
Igor: Puta que pariu...
Mestre: Você tenta se aproximar da donzela de pele de ébano e cabelos encaracolados e negros, mas ela mostra o dedo do meio para você e ainda fala que você é gordo e cheira mal. O que não é mentira. Você não tomou banho de novo, Igor?
Igor: N-não tive tempo.

A cidade de Pedranegra.

Mestre: Todos na taberna dão risada de você, mas você finge que não aconteceu nada. Paulo e Eugênio, vocês percebem algo estranho se aproximando da taberna. Olham para o guarda, que diferente de vocês, está normal. Parado como uma estátua. Mas algo ruim está prestes a acontecer... Vocês escutam passos. Lentos, mas fortes, como se quisessem esmagar alguma coisa. Demorou um pouco, mas todos no recinto ouviram e começaram a se apavorar. Eram... dois ogros!
Paulo: De novo?
Igor: Caralho... A gente já jogou contra orcs na partida passada.

Eugênio, o mago burro.

Mestre: Mas é o mesmo mundo!
Eugênio: Desculpinha esfarrapada, mas tudo bem.
Mestre: Eu que mando aqui! São dois orcs, verdes, fortes e altos. Seus braços são do tamanho de uma cabeça humana e são capazes de esmagá-la simplesmente com um aperto de mão. Um usa um machado, com a lâmina suja de sangue recente, e o outro tinha apenas a força dos punhos. Esbaforiam, irritados, e uma baba amarelada saía de suas bocas. Todos na taberna gritaram, e os lanceiros que ali estavam partiram para o ataque, mas foram jogados para trás, e suas lanças foram quebradas.
Igor: E agora, o que a gente faz, caralho?
Mestre: Vocês podem lutar ou fugir.
Paulo: Lutar? Olha o tamanho desses bichos. Parecem a minha tia depois da feijoada de sábado!
Eugênio: Acho melhor fugir.
Paulo: Eu também.
Igor: É melhor fugir mesmo!
Mestre: Ok, vocês procuram por um lugar seguro no meio daquela muvuca. Pessoas correndo desesperadas para fora da taberna, empurrando-se uma nas outras, canecas de vidro caindo no chão, gritos... Parece um puteiro. Vocês, então, acham uma escada que leva para o andar de cima. Vocês sobem?
Todos fazem que sim com a cabeça.
Igor: Não vão nos encontrar aqui...
Mestre: O lugar é escuro, fracamente iluminado. Está uma manhã ensolarada lá fora, mas é como se estivesse noite ali. Vocês sentem como se tivessem entrado em outra dimensão. Está frio e silencioso, mesmo que estivessem apenas alguns metros acima de toda aquela confusão lá embaixo. Vocês vasculham o lugar e percebem várias portas, como se ali fosse uma espécie de hotel. As portas, todas de madeira velha, estavam trancadas, mas uma estava com uma fresta aberta. O que vocês fazem?
Igor: Acho que não é uma boa invadir. Vai que...
Paulo: Que não é uma boa o quê, pode ter tesouros lá dentro!
Eugênio: E armas, precisamos de armas. Não poderemos sair daqui sem antes enfrentar aqueles bichos escrotos!
Mestre: Tá, vocês entram. A porta range tanto que chega a doer os ouvidos. Vocês sentem um odor muito estranho, meio parecido com o de sangue, mas não chega a ser. O quarto é bem modesto, até. Pequeno, com as paredes pintadas de azul, móveis de madeira muito antigos... Mas vocês percebem que tem um homem deitado naquela cama. Ele não pareceu ter ouvido a porta ranger, por incrível que pareça.
Eugênio: Eu decido dar um tapa na orelha do cara pra ver se ele acorda!
Igor: Não, seu burro!
Mestre: Rola o dado.
Resultado: 18
Mestre: Você não dá um tapa nele. Acha uma pequena pedrinha no chão e ataca, acertando sua orelha. E aí ele acorda, assustado. "O que foi isso?", perguntou o velho homem, assustado. Ele tinha feições bem cansadas e deveria ter uns oitenta anos. A barba estava por fazer, meio amarelada. Talvez fosse cerveja, ou mijo, que dava essa cor. "Quem são vocês?", o homem pergunta.
Eugênio: Eu sou Eugênio.
Mestre: "Eugênio? Eu tinha um periquito com esse nome. Ele morreu porque eu o matei com um tiro de espingarda! O filho da puta não parava de encher o saco...", o velho homem falou com certa irritação na voz.
Igor: Sou Igor.
Mestre: "E há quanto tempo você não toma banho, moleque?", ele olhou estranho.
Paulo: E eu sou Paulo.
Mestre: "Apóstolo daquele tal de Jesus?" Por que me acordaram? O que querem aqui?
Eugênio: Tem dois orcs enormes lá embaixo tocando o terror em tudo!
Mestre: "Ah, de novo esses bichos... puta que pariu, isso que dá morar numa cidade rodeada por florestas."
Igor: De novo?
Mestre: O homem tenta se recompor. Sua orelha ardia e estava inchada. Parecia um bife. Ele olhou para cada um de vocês e disse: "Acho que vocês estão procurando um lugar pra se esconder. Bando de covardes do caralho! Vão e enfrentem os bichos."
Igor: Mas não temos arma, senhor.

Igor, o Sacerdote.

Mestre: Ele bufou e disse: "Puta merda, vou ter que fazer isso eu mesmo?". O homem abriu caminho entre vocês e seguiu o corredor até as escadas, e desceu. Vocês o seguiram, curiosos. Ele, diferente das outras pessoas que permaneciam escondidas atrás de alguns bancos e mesas, estava normal, como se não tivesse ali dois ogros quebrando tudo violentamente. Ele então levantou suas mãos e proferiu, bem lentamente, palavras incompreensíveis.
Eugênio: Tá sem criatividade?
Mestre: Sim. Enfim... ele proferiu as palavras, e aí uma grande esfera de energia surgiu de suas mãos. Vocês sentiram algo estranho correndo pelo seu corpo...
Igor: Friagem. Sabe como é, tô resfriado e não é tão legal...
Mestre: Silêncio! Das mãos aparentemente frágeis e ossudas do velho homem, surgem raios laser que correm em direção aos ogros e explode em várias faíscas.
Paulo: Tipo Power Rangers?
Mestre: Tipo Power Rangers.
Eugênio: Posso fazer algo para ajudar?
Mestre: Pode. Ficar calado. Os orcs então se debruçam no chão como peixes fora d'água, e gemem de dor. Seus urros são aterrorizantes, mas vocês se sentem mais seguros agora. Ficam estonteados com o que o velho homem fez. Pensam: "ele deve ser um mago muito poderoso, que bom que acordamos ele!". Ele diz: "Suas mocinhas, é assim que se faz! Hahahahahaha!!!!" e continua atacando os bichos com seu raio laser demoníaco que parecem conter a força do Sol. Mas ele é tão velho, tão magrinho, que parece que vai morrer se continuar por mais alguns minutos.
Igor: Matando os orcs, foda-se ele!
Mestre: Ele cai no chão, cansado. "Ei, seus merdinhas, venham aqui.", ele diz entre uma tosse e outra. Vocês vão. "Vocês... vocês podem parar com tudo isso. Esses orcs estão enchendo a porra dos nossos sacos graças à Sheila, a princesa travesti que invoca esses bichos do inferno. Vocês... vocês podem matá-la."Ele está prestes a desfalecer.
Paulo: Como faremos isso sem armas?
Mestre: "Tem... tem dinheiro na minha carteira. Peguem... Merda, era o dinheiro da aposentadoria que eu ia usar pra comprar cachaça e cigarros, mas agora não importa mais. Peguem, porra!" Vocês pegam a carteira e acham R$500,00. "Comprem uma poção para mim... e uma cachaça. Uma cachaça..." O que vocês fazem?
Igor: Já disse, foda-se esse cara!
Eugênio: Esses velhos só querem saber de cachaça mesmo... tsc tsc.
Paulo': Não podemos salvá-lo? Ele pode ter informações valiosas para nós!
Os outros concordam.
Mestre: Então vocês correm em busca de um vendedor de poções. A sorte de vocês é que a cidade era grande e tinha várias lojinhas. Vocês chegam num lugar meio fedido, mas aparentemente confiável. O vendedor olha para vocês como um leão olha para uma hiena, e oferecem-lhe várias poções. Vocês dizem que é para alguém que está muito doente, e ele dá um sorriso malicioso que, embora vocês percebam, acham que não é nada porque são burros. Então, ele oferece a vocês um frasco redondo com um líquido avermelhado, prometendo que aquilo cura até câncer. Vocês pagam e voltam para a taberna. "Poção... eu quero poção. Me dá essa porra aqui!" Ele bebe com voracidade, mas cospe tudo. "Caralho, seus animais, isso é xixi de rato!"
Igor: Puta merda... Aquele cara nos enganou.
Paulo: Fale-nos, quem é você?
Mestre: "Eu me chamo... Jacinto. Eu era um poderoso mago capaz de manipular fogo, água, ar e terra. Combati muitos monstros em minha juventude e sei de muitas coisas... mas vocês me deram xixi de rato, então vão morrer sem saber nada. Seus filhos da puta!" Ele tosse e se contorce de dor. Pela última vez. Faleceu, enfim. E agora, o que vocês fazem?
Igor: Vamos sair daqui, né? Fazer o quê...
Todos concordam.
Eugênio: Seu burro, não deveria ter acreditado naquele cara!
Todos concordam, inclusive o Mestre.

Capítulo 2: A primeira quest a gente nunca esquece
[editar]

Mestre: Vocês saíram da taberna, perguntando-se sobre a "princesa travesti" que o mago Jacinto dissera. Não se sentiriam tão perdidos assim se não fossem tão imbecis e não matassem o coitado.
Igor: Não importa mais, mesmo...
Paulo: Parece que temos que derrotar a dama de paus para fazer com que os orcs parem de assombrar essa cidade! Mas... onde vamos achá-la? Não temos um mapa, uma orientação...
Eugênio: Do jeito que tem traveco nessa cidade, fica difícil dizer se ela está aqui.
Mestre: É verdade. Há muitos travestis nessa cidade. Mas há também uma lenda que corre por Pedranegra sobre um dragão vesgo de uma asa só que protege a princesa em seu castelo.
Paulo: Dragão vesgo de uma asa só? *cai na risada* O que você anda fumando, mestre?
Mestre: Silêncio! Cês querem matar o tal dragão ou não? É o que precisam fazer caso queiram chegar na princesa travesti.
Igor: E eu lá quero chegar perto de um pau? Já basta o meu.
Mestre: A questão não é essa, besta. Vocês são os escolhidos para acabar com essa maldição e...
Eugênio: Escolhido? Mas que clichê, hein mestre.
Mestre: Tá, tá. O lance, então, é que todo mundo é preguiçoso o bastante pra levantar a bunda gorda de casa e ir matar a porra do dragão, e vocês não.
Paulo: Vamos atrás desse dragão, capar o pau da princesa e resgatar a paz para o nosso mundo!
Mestre: Tá vendo, isso aí que é clichê. Enfim... vocês precisam de armas. Deixa eu ver a ficha de vocês... Hm... Paulo, você é um paladino. Vai soltar flechas pelo cu ou usar uma lança?
Paulo: Posso usar espada não?
Mestre: Pode, mas lança é mais legal.
Paulo: Então vai lança mesmo!
Mestre: Eugênio, você é um... mago. Certo... Quer se especializar em algum elemento?
Eugênio: Tanto faz, só quero matar monstros.
Mestre: Tá, coloca duas habilidades de fogo aí. Igor... você é o suporte da equipe?
Igor: Sou, ué. Alguém tem que socorrer esses dois noobs, né?
Mestre: Certo. Vocês rodam a cidade em busca de armas. Todos olham estranhados para vocês três. Homens, mulheres e crianças. A praça em que vocês estão é bem grande, com um chafariz em formato de golfinho no meio de um jardim de rosas e tulipas. Mas nem tudo é tão bonito assim: tem uns drogados em algumas ruas que ficam chamando vocês para verem uns bagulhos. Vocês sentem uma energia poderosa no ar, como se ela emanasse daquela cidade. Qualquer um que não tivesse um mapa podia se perder ali, mas vocês conhecem-na como a palma de suas mãos. Acham uma pequena lojinha de armas, e ao entrarem, deparam-se com um mundo de espadas, lanças, machados e outras armas e armaduras.
Paulo: Eu quero uma lança!
Mestre: Calma.
Paulo: Calma o caralho, tem orcs vindo pra cidade!

Sheila Jurema, a princesa Travesti.

Mestre: Ok. Você gasta R$30,00 em uma lança de madeira simples. Coloca +1 de modificador de ataque aí.
Paulo: E a armadura?
Mestre: A mais barata que tem. Placas de madeira que te fazem mais parecer um espantalho do que um paladino, mas é tão leve que te dá +1 de chance de esquiva. Agora, as armas e armaduras do Igor e do Eugênio são as mais simples também, pois o mercador é pobre e não tem equipamento melhor. Cajados de madeira que soltam luz na ponta. +2 de modificador de ataque mágico...
Eugênio: Mas isso aqui é um brinquedo!
Mestre: Ninguém mandou você ser nível um.
Eugênio: M-mas...
Mestre: Nada de "mas". Eu que mando nesta porra!
Paulo: Hehehe
Mestre: Vocês vestem suas armaduras. Antes de irem embora, vocês podem perguntar para o mercador se ele conhece algo sobre a princesa travesti. Ele tem cara de quem sabe até demais. Vocês perguntam?
Todos falam que sim.
Mestre: "Cara, eu não gosto muito de travesti não. Já peguei alguns, mas sei lá, não gostei. Já tenho um pau, não preciso de outro... Ah, vocês perguntam da princesa travesti, Sheila Jurema? Desculpem, desculpem. Já peguei ela também. Enfim... ninguém sabe onde ela se esconde. Dizem que é no outro lado do continente, onde é sempre inverno e tudo lá quer te atacar... até mesmo os mortos". É só isso que ele sabe. Vocês podem suborná-lo por mais informações, se quiserem, mas não é garantia.
Igor: Fala mais aê, cara!
Mestre: Rola o dado e o modificador de carisma.
Resultado: 3+1 = 4
Mestre: Ele diz pra você ir subornar sua mãe e diz que não se vende por isso. Mesmo tendo transado com alguns travestis.
Igor: Merda.
Mestre: Mais alguém quer tentar?
Silêncio.

A Floresta de Paumenor.

Mestre: Ok. Vocês saem da loja com a única informação de que acham que Sheila Jurema se esconde no outro lado do continente. Apenas isso. Então, vocês decidem ir para lá. Já era entardecer quando vocês chegaram na Floresta de Paumenor, ao leste de Pedranegra. É um lugar pequeno, como o nome sugere, mas apresenta muitos perigos, ainda mais nesse horário. Ali, há lobos selvagens, orcs, trolls, mendigos,mafagafos... mas relaxem, é tudo no nível de vocês.
Igor: Para quais direções podemos ir?
Mestre: Uma. Para norte.
Paulo: Vamos para o norte então. Para onde o destino vai nos levar?
Mestre: Para uma cidade chamada Cidade do Papagaio.
Eugênio: Tem muito papagaio lá?
Mestre: Acho que sim.